O início dos estudos de João Bosco e o começo dos conflitos familiares
06/24/2013
Um saltimbanco de Deus
08/06/2013

Um sonho que envia um pastor para os jovens

Todos sabemos que Dom Bosco é muito conhecido também pelos seus muitos sonhos que, assim como aconteceu com este primeiro sonho aos nove anos, orientou o caminho da sua vida e da sua missão.

O sonho é um mecanismo natural que permite aos seres humanos restaurar a energia física e reorganizar a vida psíquica. Todos sonhamos embora nem sempre nos lembremos dos sonhos. Eles carecem de unidade lógica, de clareza em seus conteúdos e mensagens. Apresentam-se como fenômenos autônomos da intencionalidade do sujeito que os tem.*

Isto parece não acontecer em Dom Bosco. Suas narrações são claras e processuais, frutos de um pensamento organizado e racional. Esta também era uma virtude extraordinária de nosso santo fundador. De modo que podemos até chegar ao extremo de dizer que não se pode compreender Dom Bosco por inteiro, se deixarmos de lado os seus sonhos. “Falar de Dom Bosco sem os seus sonhos é como falar de Jesus sem as suas parábolas” (Fausto Jiménez).

Todos os sonhos convergem em um mesmo tema dominante: a salvação da juventude. Temos documentados mais de 170 sonhos de Dom Bosco. O primeiro é este que estamos estudando nestas semanas, que aconteceu quando ele tinha entre nove e dez anos. O último foi no final de novembro de 1887, aos 72 anos, dois meses antes de morrer.

Como já dissemos, Dom Bosco nem sempre deu a atenção devida aos seus sonhos. Ele passou a dar valor para eles a medida que se passavam os anos até chegar em um momento em que não duvidava mais daquilo que sonhava. Dom Bosco só narrou o seu primeiro sonho em 1858, ao Papa Pio IX, mais de trinta anos depois dele ter acontecido.

Provavelmente, o sonho dos nove anos aconteceu perto da festa da Anunciação em 25 de março. Algumas imagens que aparecem no sonho podem ter sido influencias pela pregação do Jubileu proclamado pela Igreja naquele ano. O papa Leão XII havia convidado a todos para uma reflexão sobre o serviço pastoral do Papa, dos Bispos e dos sacerdotes, buscando aproximá-los mais das necessidades espirituais do povo de Deus. Dom Colombano Chiaverotti, arcebispo de Turim entre 1819 a 1832, dizia que “todo padre deveria ser um bom pastor, seguindo o modelo de Jesus”. Temos muitos escritos de Dom Chiaverotti nesta época, na qual a ideia de que o clero deve ser formado por pastores que dão a sua própria vida pelo rebanho aparece constantemente.

No sonho, aparecem para Joãozinho um “homem venerando, nobremente vestido” e uma “senhora de aspecto majestoso, vestida de um manto todo resplandecente como o Sol”. Estes personagens indicam para o ele:

– o seu campo de trabalho (animais selvagens: jovens abandonados e em perigo e perigosos para o meio familiar e social);

– o método educativo (não com pancadas, mas com mansidão, com paciência e caridade);

– as qualidades do educador (saudável, humilde, forte e robusto);

– uma Mestra que ajuda (a Virgem, Nossa Senhora, sua mãe e sua mestra);

– e os frutos (a mudança integral da pessoa, de feras em mansos e felizes cordeiros).

Mamãe Margarida, na fé que este sonho era a manifestação de uma vontade superior e um sinal muito claro da vocação sacerdotal de seu filho, começa a ter um cuidado maior com a sua formação humana e espiritual.

E Joãozinho, por sua vez, mesmo ficando com a opinião de sua avó (que não deveria dar crédito para os sonhos), de uma certa forma começa a colocá-lo em prática, reunindo os seus amigos de brincadeira e os outros pequenos empregados que vivem nos sítios espalhados pela região. É o que começaremos a ver agora: o começo do apostolado de Joãozinho Bosco.

Mas faremos isso depois de uma pequena parada, por conta da Jornada Mundial da Juventude. Nos encontramos novamente na primeira semana de agosto. Que Deus nos abençoe!

* JIMÉNEZ, Fausto. Los sueños de Don Bosco. Editorial CCS, Alcalá – Madrid, 1989.

Pe. Glauco Félix Teixeira Landim, SDB
Animador das dimensões Vocacional, Missionária e de Evangelização e Catequese da Pastoral Juvenil Salesiana
E-mail: [email protected] / Facebook: www.facebook.com/glaucosdb

 

ESPAÇO VALCOCCO – CAPÍTULOS

Capítulo 1: Espaço Valdocco: somos Dom Bosco que caminha

Capítulo 2: Um começo de vida marcado pela pobreza e por uma fatalidade

Capítulo 3: Uma mãe corajosa, amorosa e cheia de fé

Capítulo 4: Antônio, José e João: três irmãos muito diferentes

Capítulo 5: O início dos estudos de João Bosco e o começo dos conflitos familiares

Capítulo 6: Um sonho que ficou gravado profundamente na mente

Capítulo 7: Um sonho que é memória e profecia

Capítulo 8: Um sonho que envia um pastor para os jovens

Capítulo 9: Um saltimbanco de Deus

Capítulo 10: Deus tomou posse do teu coração

Capítulo 11: A fúria de Antônio

Capítulo 12: Um lugar com a família Moglia

Capítulo 13: Uma experiência rica de família e trabalho

Capítulo 14: Um tempo para aprender a falar com Deus

Capítulo 15: Um amigo inesperado

Capítulo 16: Um pai para Joãozinho Bosco

Capítulo 17: Um desastre que desfalece as esperanças

Capítulo 18: “O vaqueiro dos Becchi” retorna para a escola

Capítulo 19: Mais dificuldades na escola de Castelnuovo

Capítulo 20: Um amigo para toda a vida

Capítulo 21: “Se eu for sacerdote, serei muito diferente”

Capítulo 22: Férias em Sussambrino

Capítulo 23: O sacrifício de pedir ajuda

Capítulo 24: Chieri, uma cidade repleta de história, piedade e estudos

Capítulo 25: O início dos estudos em Chieri

Capítulo 26: Uma memória extraordinária

Capítulo 27: O cuidado de João em escolher suas amizades

Capítulo 28: A Sociedade da Alegria: uma maneira de evangelizar os colegas

Capítulo 29: O cultivo da espiritualidade na Sociedade da Alegria

Capítulo 30: João Bosco, filho de Maria Santíssima e testemunho da santidade para os seus colegas

Capítulo 31: O ano escolar de 1832-1833: a crisma de João Bosco e a ordenação do Pe. Cafasso

Capítulo 32: O amigo Luís Comollo

Capítulo 33: Um trabalho exigente no Café Pianta

Capítulo 34: Uma presença que causava admiração e fazia a diferença

Capítulo 35: A amizade e a conversão do judeu Jonas

Capítulo 36: Um jovem com muitos talentos e habilidades

Capítulo 37: Crise vocacional de João Bosco e a decisão de fazer-se franciscano

Capítulo 38: “Deus te prepara outro lugar, outra messe”

Capítulo 39: O Pe. Cinzano, instrumento da providência divina no caminho vocacional de João Bosco

Capítulo 40: O dia em que João Bosco recebeu a batina

Capítulo 41: E finalmente João entra no seminário