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Programa da Beatificação do Pe. Titus Zeman SDB encherá todo o fim da semana

A beatificação do venerável sacerdote salesiano eslovaco, Pe. Titus Zeman, mártir sob o regime comunista, dar-se-á sábado, 30 de setembro, às 10h30, em Bratislava-Petržalka, em cerimônia campal perto da Igreja Sagrada Família. Com esse evento, ganhará a Eslováquia, depois de 13 anos, mais um Beato (B.), ou Bem-aventurado (Bv.), que, pela primeira vez na história da nação, será um sacerdote religioso.

O programa para todo o fim de semana da beatificação foi preparado conjuntamente pelos Salesianos da Eslováquia e pela Arquidiocese de Bratislava. Os atos iniciarão na sexta-feira, 29 de setembro, às 20 horas locais, com uma vigília de oração no Domo de São Martinho, na capital, Bratislava. A missa na qual Titus Zeman será proclamato Beato, ou Bem-aventurado, iniciará sábado, 30 de setembro, às 10h30, em Bratislava-Petržalka, em cerimônia campal ao lado da Igreja Sagrada Família. De tarde dar-se-á uma cerimônia festiva na HANT Arena, de Bratislava. Domingo, 1° de outubro, em Vajnory – cidade que deu os natais ao Pe. Zeman – , será enfim realizada uma Festa de Ação de Graças por sua Beatificação. Na cidadezinha, já desde sábado após a Missa e também no dia de domingo, os fiéis poderão venerar Relíquias do mártir.

Ulteriores informações, junto com breve vídeo sobre o Venerável Pe. Zeman e sua Beatificação: disponíveis à página web www.tituszeman.sk – em espanhol, inglês, italiano.

ANS – Bratislava

Um pouco da história do Pe. Titus (Tito) Zeman

Processo Diocesano

INÍCIO:
26 de fevereiro de 2010

ENCERRAMENTO:
7 de dezembro de 2012

Beatificação:
30 de setembro de 2017

TITO ZEMAN,
SALESIANO SACERDOTE, MÁRTIR, SERVO DE DEUS
A história de Tito Zeman é um ótimo exemplo de fidelidade à causa de Dom Bosco, particularmente através do zelo e do amor pela salvação da vocação dos jovens salesianos quando se deu na Eslováquia o advento e a instauração do regime comunista.

Tito Zeman, Salesiano eslovaco, nasceu numa família cristã em 4 de janeiro de 1915 em Vajnory, perto de Bratislava. Desejava ser padre desde os 10 anos de idade; fez os estudos ginasiais e liceais nas casas salesianas de Šaštin, Hronský, Svätý Beňadik e Frištak u Holešova. Em 1931, iniciou o noviciado e no dia 7 de março de 1938 emitiu a profissão perpétua no instituto Sagrado Coração de Roma. Estudante de teologia na Universidade Gregoriana de Roma, e depois em Chieri, servia-se do tempo livre para fazer apostolado no oratório. Em Turim, no dia 23 de junho de 1940, chegou à meta tão desejada da consagração sacerdotal graças à imposição das mãos do cardeal Maurílio Fossati. Celebrou sua primeira Missa em Vajnory no dia 4 de agosto de 1940.

Na noite entre 13 e 14 de abril de 1950, o regime comunista proibiu a existência das ordens religiosas na Checoslováquia, ocupou com seus milicianos os conventos e as casas dos religiosos e das religiosas, deportando consagrados e consagradas para conventos transformados em verdadeiros e próprios campos de concentração; esta noite dramática foi chamada na Eslováquia de “A noite dos bárbaros”. A providência quis que o padre Zeman estivesse naqueles meses na paróquia diocesana de Šenkvice e, assim, evitasse a prisão. Foi uma ideia do jovem Salesiano padre Ernesto Macák fazer os jovens clérigos passarem ilegalmente a fronteira entre a Checoslováquia e a Áustria, levando-os a Turim, casa-mãe dos Salesianos, onde poderiam completar os estudos teológicos, chegar ao sacerdócio e reedificar espiritualmente a Pátria, depois da queda do comunismo que se desejava fosse logo.

Zeman encarregou-se de realizar a arriscada missão; começou a preparar a passagem clandestina através da fronteira entre a Eslováquia e a Áustria, e organizou duas expedições para mais de 30 jovens Salesianos. Na terceira expedição, da qual participaram também alguns padres diocesanos, perseguidos pelo regime, foi preso com a maioria dos componentes do grupo. Durante os vários interrogatórios açoitaram-no e quebraram-lhe alguns dentes. Quando o padre Zeman experimentou a violência sobre si e viu-a nos coirmãos, assumiu a responsabilidade e inculpou-se por ter organizado a fuga deles para o exterior. Sobre este período o próprio padre Tito declarou: “Quando me prenderam, foi para mim uma Via Sacra. Do ponto de vista psíquico e físico, eu a vivi durante a prisão inicial. Na prática, durou dois anos… Vivia num temor contínuo de que a qualquer momento a porta da minha cela se abrisse e me levassem para fora, para o local da execução. Por isso, vi todos os meus cabelos ficarem brancos. Se retorno às torturas inimagináveis sofridas durante os interrogatórios, digo-te com sinceridade que ainda hoje me vêm calafrios. Serviam-se de métodos desumanos quando me açoitavam e torturavam. Por exemplo, levavam um balde cheio de material do esgoto, nele afundavam a minha cabeça e a mantinham ali até que não começava a sufocar. Davam-me pesados pontapés no corpo todo, batiam em mim com qualquer objeto. Depois de um destes golpes, fiquei vários dias surdo”.

Sofreu um duro processo durante o qual foi descrito como traidor da Pátria e espião do Vaticano e o procurador-geral pediu para ele a pena de morte. Em 22 de fevereiro de 1952, foi condenado a “só” 25 anos de prisão sem condicional, e marcado como “mukl”, ou seja, como “homem destinado à eliminação”. Saiu da prisão, com liberdade condicional, após quase 13 anos de prisão, em 10 de março de 1964, depois de ter sido excluído de inúmeras anistias; sua saúde, porém, já estava comprometida. Morou com um irmão, trabalhando como operário num depósito de materiais têxtis. Mais tarde permitiram-lhe trabalhar como almoxarife, profissão que exerceu até o fim da vida. Irremediavelmente marcado pelos sofrimentos da prisão, morreu cinco anos depois em 8 de janeiro de 1969, rodeado de uma gloriosa fama de martírio e santidade. Viveu o seu calvário com grande espírito de sacrifício e de oferta: “Mesmo se perdesse a vida, não a consideraria desperdiçada, sabendo que ao menos um daqueles que ajudei tornou-se sacerdote no meu lugar”. A dedicação, a coragem e o sacrifício demonstrados no mais elevado nível pelo padre Tito durante as fugas clandestinas através da fronteira, mostram que se trata de um sacerdote que podemos definir como mártir pela salvação das vocações. Injustamente preso, torturado, condenado, mantido em duro cárcere por 13 anos e, depois, sempre vigiado e impedido de realizar plenamente a sua vocação sacerdotal e educativa, é um exemplo e modelo de pastor, capaz de gastar e dar a vida por aqueles jovens que, no íntimo do coração e também na vida social, estavam impossibilitados de seguir a Cristo mais de perto. Sua mensagem “Age sempre segundo o modelo de Dom Bosco e os outros te seguirão”, é atual ainda hoje.

ORAÇÃO

Deus onipotente,
chamaste o padre Tito Zeman
a seguir o carisma de São João Bosco.
Debaixo da proteção de Maria Auxiliadora
ele se fez padre e educador da juventude.
Viveu segundo os teus mandamentos,
e entre o povo foi conhecido e estimado
pelo caráter afável e a disponibilidade para com todos.
Quando os inimigos da Igreja suprimiram
os direitos humanos e a livre expressão da fé,
padre Tito não perdeu a coragem
e perseverou no caminho da verdade.
Pela sua fidelidade à vocação salesiana
e pelo seu serviço generoso à Igreja
foi encarcerado e torturado.
Resistiu com audácia aos torturadores
e, por isso, foi humilhado e ridicularizado.
Tudo sofreu por amor e com amor.
Nós te suplicamos, ó Pai onipotente,
glorifica o teu servo fiel,
e concede-nos, por sua intercessão,
a graça que te pedimos…
Por Cristo nosso Senhor. Amém.