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Para que a beleza renasça todos os dias no mundo

Em artigo escrito para o Boletim Salesiano e traduzido pelo secretário inspetorial, Pe. José Antenor Velho, o Reitor-Mor, Pe. Ángel Fernándes Artime, fala sobre o olhar salesiano. Boa leitura.

Desta janela que o Boletim Salesiano me oferece todos os meses, apresento-me para cumprimentar os meus irmãos salesianos, os pertencentes à nossa família ampliada no mundo e os muitos amigos e amigas de Dom Bosco que lhe são próximos e o amam em muitas casas salesianas.O pensamento central da minha mensagem, desta vez, é o olhar salesiano. Ver a vida, o mundo e os jovens com os olhos de Dom Bosco sempre deve ser um olhar de esperança, de quem crê nas sementes de bem e bondade que estão no coração de cada pessoa, de cada jovem, de cada pai e mãe.

Para demonstrar com mais intensidade o que lhes quero dizer, inicio a minha reflexão replicando um texto encontrado na internet.
O texto assim se expressa: ”O paradoxo do nosso tempo na história é que temos edifícios sempre mais altos, mas moralidades mais baixas, estradas sempre mais largas, mas horizontes mais restritos.

Gastamos mais, mas possuímos menos; compramos mais, mas alegramo-nos menos. Possuímos casas maiores e famílias menores; temos mais comodidades, mas menos tempo. Temos mais instrução, mas menos bom-senso; mais conhecimento, mas menos juízo; mais especialistas, e ainda mais problemas; mais remédios, mas menos bem-estar. Guiamos com mais velocidade, mas ficamos com mais raiva; trabalhamos até altas horas e levantamo-nos cansados; assistimos muito à televisão e rezamos raramente. Multiplicamos as nossas propriedades, mas reduzimos os nossos valores.

Falamos muito, amamos muito pouco e, com frequência, odiamos muito. Aprendemos como ganhar para viver, mas não como viver. Acrescentamos anos à vida, mas não vida aos anos.

Fomos e voltamos da Lua, mas não conseguimos atravessar a rua para encontrar um novo vizinho. Conquistamos o espaço exterior, mas não o espaço interior.

Criamos coisas maiores, mas não melhores. Purificamos o ar, mas poluímos a alma. Dominamos o átomo, mas não os preconceitos. Escrevemos mais, mas aprendemos menos.

Planejamos mais, mas realizamos menos. Aprendemos a resolver as coisas, mas não a esperar. Construímos computadores maiores para conservar mais informações, para produzir mais cópias do que nunca, mas nos comunicamos sempre menos. Estes são tempos de fast food e de digestão lenta, de grandes homens e pequenos caracteres, de lucros acentuados e relações vazias. Estes são tempos de dois salários e muitos divórcios, de casas muito bonitas, mas famílias destruídas. Tempos de muitas coisas na vitrine e nada no depósito’.’

Olhar sobre o real
Devo admitir que alguns desses contrastes são certamente verdadeiros, mas o que desejo ressaltar de modo evidente é que o único mundo que temos aqui na terra é justamente este, não o imaginário.

Temos apenas este no qual despertamos a cada dia, e a atitude mais corajosa, mais séria e mais profunda de um coração cristão e salesiano é dirigir olhares cheios de verdadeira esperança para essa realidade a fim de descobrir todos os indícios de positividade que nela se escondem e transformá-los no que for possível.

Trata-se de um verdadeiro mandamento para o nosso coração salesiano quando se refere à educação e à evangelização dos jovens.
Quando se trata deles, rapazes e moças, o empenho fundamental é trabalhar, com todo vigor da nossa fé, para que prevaleça sobre todas as realidades o valor absoluto da pessoa e da sua inviolabilidade, valor que é superior a todo bem material e a qualquer estrutura.

Esta forte convicção, com a linguagem de hoje, mas com a mesma paixão educativa que moveu Dom Bosco, permite-nos olhar de modo crítico para todas as situações do nosso mundo que sejam eticamente inadmissíveis, como a corrupção, o uso das pessoas, a violência, a fraude, o abuso; e decidir por muitas opções pessoais e comunitárias diante desses desapiedados mecanismos de manipulação.

É natural que, diante dessas realidades, possamos nos sentir muitas vezes subjugados pelas muitas negatividades dessa parte de existência, mas como crentes não podemos permitir que a nossa esperança se torne frágil. Pelo contrário, precisamos ousar ainda mais intensamente para anunciar que está na hora da verdadeira esperança! Nem por isso, contudo, podemos fechar os olhos diante das realidades injustas, mas graças à fé, é preciso abrir o coração ao Deus da Vida, Ele que jamais passa, e mergulhar na vida cotidiana, crendo firmemente que podemos contribuir para torná-la melhor.

A ação do Ressuscitado
Isso é possível graças à ação do Ressuscitado e à presença do Espírito em nossa história, feita de luzes e sombras, mas jamais longe de Deus. O papa Francisco, no número 276 da Evangelii Gaudium, diz explicitamente: “A sua ressurreição não é algo do passado; contém uma força de vida que penetrou o mundo. Onde parecia que tudo morreu, voltam a aparecer por todo lado os rebentos da ressurreição. É uma força sem igual. É verdade que muitas vezes parece que Deus não existe: vemos injustiças, maldades, indiferenças e crueldades. Mas também é certo que, no meio da escuridão, sempre começa a desabrochar algo novo que, mais cedo ou mais tarde, produz fruto. Em um campo arrasado volta a aparecer a vida, tenaz e invencível. Haverá muitas coisas más, mas o bem sempre tende a reaparecer e espalhar-se. A cada dia renasce no mundo a beleza, que ressuscita transformada por meio dos dramas da história”.

E, por essa segurança da Fé, da ação do Senhor e da História na nossa história, com a contribuição do nosso empenho e da nossa missão de educadores e evangelizadores, sentimo-nos intimamente solidários com este nosso mundo e a sua história. Porque para nós, salesianos, educadores cristãos, pais que acreditam na educação, educar significa participar com amor do crescimento de cada pessoa, na construção do seu futuro.

Qualquer passo nosso, aqui e agora, seja realmente marcado por este esforço vital.

Uma saudação com pleno e sincero afeto,

Ángel Fernández Artime – Reitor-Mor
Tradução: José Antenor Velho