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Museu da Obra Salesiana no Brasil visita e recebe Programa Recomeço

No dia 24 de junho o MOSB (Museu da Obra Salesiana no Brasil) recebeu a visita de dois integrantes do Programa Recomeço acompanhados de uma educadora participante da ação Bate Pernas – uma ação do grupo que tem como objetivo conhecer instituições culturais de São Paulo.

Ao conhecerem um pouco da história dos salesianos no Brasil, algumas questões foram levantadas pelos visitantes.
Um deles se interessou por saber se os salesianos estavam aqui no Brasil desde o período Imperial e acrescentou “gosto muito de história, queria estudar sobre isso”. Interagiram o tempo todo com a exposição, tanto com perguntas quanto com respostas, suposições e olhares curiosos.

“Senti que eles queriam ter voz, em muitos momentos eles relacionavam algo da vida deles” (Leonardo Rodrigues, estagiário).

Oficina de Cânone

Ao final da visita, os estagiários de música, que estão participando no museu do projeto ProAC (Programa de Ação Cultural), realizaram uma oficina de música. Por estarmos no dia de São João, a música escolhida foi um baião de Edino Krieger, “Baião de ninar”. O ritmo foi contextualizado e diferentes modos de ser trabalhado através de percussão corporal foram apresentados. A atividade realizada com a peça foi um cânone e, para explicar esta forma musical, iniciaram a oficina com um cânone corporal (inicialmente, ao som de uma contagem “1-2-3-4”, e depois ao som do violão tocando quatro acordes dentro da mesma contagem – para deixar clara a noção de pulso e métrica). Em certo momento, durante a explicação, um deles falou que sabia o que era que estávamos marcando, mas usou um nome popular usado provavelmente em fanfarras. Antes da oficina ele comentou que tinha tido experiência com “fanfarras do 7 de setembro”. Foi perceptível que já possuía experiência com instrumentos de percussão, porque na hora da percussão corporal assimilou o ritmo e as diferenciações de palmas muito rapidamente.

A atividade do cânone corporal foi intitulada de “Espelho” e realizada da seguinte maneira: três pessoas realizavam movimentos corporais, e três pessoas (de frente para as anteriores) funcionavam como espelhos; porém, os três integrantes do primeiro grupo entravam em cânone, isto é: a cada 4 pulsos, o primeiro integrante deste grupo mudava seu movimento, e o segundo copiava o movimento anterior que este havia feito, e assim também o terceiro copiava o movimento anterior do segundo. Após esta atividade, todos compreenderam a ideia desta forma musical chamada cânone, e partimos para o aprendizado do baião, transformando-o ao fim em um cânone vocal.

“Ao entrar lá, todos estavam inseguros em cantar e fazer os movimentos, ao longo da oficina eles foram se soltando e quando começamos a perguntar se eles queriam fazer algo, eles já assumiam algumas funções sem precisar delegar quem faria”, observou Leonardo (estagiário).

“Particularmente, esta oficina foi rica para mim, pois nunca havia realizado uma atividade de musicalização com adultos, apenas com bebês e crianças em contexto escolar. Estava preocupada por não conhecer o público, e não sabia se todo o planejamento poderia ser aplicado ou se precisaria de outras atividades na manga (e esta preocupação não advém dos visitantes em si, é uma preocupação pessoal creio devido minha falta de experiência em conduzir uma oficina), mas tudo ocorreu melhor que o esperado, inclusive, percebemos facilidades rítmicas de um dos participantes, que acrescentou outra proposta de percussão. Acredito que os museus deveriam estar cheios de atividades assim, pois também são boas maneiras de fazer um público interagir com uma determinada temática, vejo as oficinas como ações educativas que não levam a alcunha de aula, e são bons instrumentos para despertar interesse no público. Fiquei feliz com a oportunidade e espero ter outras futuramente”, comentou Jéssica Rocha (estagiária).

Texto: Jéssica Rocha

MOSB visita o Programa Recomeço

Convidadas pelo psicólogo Rodolfo Yamauchi para visitar o prédio construído para realização das ações do Programa Recomeço e conhecer a metodologia empregada no acompanhamento de dependentes químicos, a coordenadora do MOSB, Dra. Dulcília Silva e a Técnica em Museologia, Flaviana Souza, voltaram admiradas com a grandeza do trabalho ali realizado.

São 11 andares, três já em funcionamento, com atividades assim distribuídas: térreo com recepção, espaço de convivência, sala de entrevista, espaço para banho; no primeiro andar academia, laborterapia; no segundo sala de cinema e salas multiuso; no terceiro, cozinha industrial com objetivo de aprendizagem abrangendo todos os aspectos que envolvem o ato de cozinhar. Nos demais andares serão distribuídas enfermarias, dormitórios, enfim, espaços de tratamento.

Infelizmente temos uma tendência a destacar o erro, o malfeito, o abandono, a violência sem tomarmos ciência do trabalho realizado para a solução de problemas tão graves quanto esse – o combate às drogas. O Recomeço pode até ser uma gota de água no oceano, mas é um passo importante que pode se multiplicar e melhorar as condições de vida daqueles em que se crê abandonados. Só temos a agradecer, como cidadãs, essa atitude, desejar sucesso e nos colocarmos à disposição para contribuir como pudermos.

MOSB

Mais sobre o Programa Recomeço

O Programa Recomeço é uma iniciativa do governo do Estado de São Paulo para ajudar os dependentes químicos, principalmente os usuários de crack, oferecendo tratamento e acompanhamento multiprofissional ao paciente e aos seus familiares. As ações são coordenadas pelas Secretarias Estaduais da Saúde, da Justiça e Defesa da Cidadania e do Desenvolvimento Social e facilitam o acesso ao tratamento médico e apoio social e, quando necessário, a internação dos dependentes em centro de referência, incluindo comunidades terapêuticas e moradias assistidas. Integram o trabalho também o Poder Judiciário, com a participação do Ministério Público, da Defensoria Pública e da Ordem dos Advogados do Brasil, que acompanham os trabalhos e os casos que precisam do apoio ou interveniência destes organismos.

Desde janeiro de 2013 até 31 de março 2014, 31.966 dependentes químicos já receberam tratamento por meio da rede estadual do Programa Recomeço. No enfrentamento da epidemia de crack, é papel do governo do Estado garantir a promoção dos direitos humanos, oferecendo atendimento especializado. Desta forma, é possível recuperar sua integridade, fortalecer os laços familiares e trazê-lo de volta ao convívio e às atividades sociais.

O Recomeço Família foi criado e agora faz parte do programa para que, por meio de entidades e profissionais especializados articulados pelos CICs – Centro de Integração da Cidadania, as famílias possam receber orientação e apoio em como proceder e colaborar na recuperação e reinserção do dependente.

Por intermédio do CRATOD, Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas, localizado na Rua Prates, 165, em São Paulo, já foram encaminhados para tratamento 4.367 dependentes químicos, desde janeiro de 2013 até 27 de maio de 2014. Destes, 1.118 vieram da chamada cracolândia, localizada na região da praça Júlio Prestes em São Paulo, graças ao trabalho desenvolvido por Conselheiros das Secretarias Estaduais da Saúde e Desenvolvimento Social que, desde dezembro 2013 atuam nas ruas daquela região oferecendo apoio aos dependentes químicos.

Foram lançadas também iniciativas para apoiar o dependente químico que está em tratamento a ter acesso à capacitação e recolocação profissional. Por meio do programa Via Rápida, da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico, e parcerias com organizações da sociedade, eles têm acesso a diversos tipos de treinamento.

A criação do Selo Recomeço foi outra iniciativa para valorizar as empresas e organizações da sociedade. O objetivo da parceria é ajudar o dependente químico a encontrar uma vaga no mercado de trabalho. O selo vai atender o dependente que está em ou já passou por tratamento por meio do Programa Recomeço.

Fonte: http://programarecomeco.sp.gov.br