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Revolução Paulista: três bombas atingiram o Liceu Coração de Jesus

Vista interna de oficina do Liceu Coração de Jesus após ser atingida por bombas

“Ás 7.30 da manhã do dia 5 de julho eu no meu escriptorio passando os olhos pelos jornaes do dia. De repente entra-me pela porta o P.C.F., todo agitado:
-Dizem que arrebentou uma revolução…
-Revolução em S. Paulo?! Não é possível.
-Algumas pessoas, vindas de Sant’Anna afirmam que..
-São boatos. Na peior hypoteses, trata-se-á do levante de algum batalhão, ou uma greve; isso passa em poucas horas.”
(Trecho do livro “Férias de Julho – Aspectos da Revolução Militar de 1924 ao redor do Lyceu Salesiano de São Paulo”)

 

Em 5 de julho de 2019, completam-se 95 anos do movimento tenentista conhecido como ‘Revolução de 1924” ou “Revolta Paulista”. O trecho acima retrata um diálogo entre o padre diretor do Liceu Coração de Jesus, Luís Marcigaglia, e seu assistente, em 5 de julho de 1924. Dez minutos depois da breve conversa, o diretor do colégio tomava ciência do que estava acontecendo: era realmente o início de uma revolução, que marcaria a história da capital paulista e do Liceu Salesiano.

Vista interna do Liceu Coração de Jesus após ser atingido por bombas

O segundo movimento tenentista do país aconteceu em São Paulo e teve início dois anos após o fim da Revolta dos 18 do Forte de Copacabana. A Revolta Paulista foi realizada sob a liderança do general Isidoro Dias Lopes e tinha como objetivo: reformas no ensino público, voto secreto, poder político ao exército, fim da corrupção e destituição do presidente Artur Bernardes. Ou seja: os tenentistas lutavam pelo fim do governo vigente na República Velha.
A Revolução de 1924 ficou conhecida como o maior bombardeio ocorrido na cidade de São Paulo: diversos prédios e casas foram destruídos, principalmente em áreas operárias.

De acordo com relatos, registrados no livro “Férias de Julho”, logo que tomou ciência da revolução, padre Marcigaglia ficou extremamente preocupado com a segurança dos alunos e funcionários do Liceu Salesiano, bem como com os seus colaboradores. Todos os alunos internos estavam nos salões de estudos e os externos do primeiro período estavam em aula.

Três bombas atingem o Liceu

Durante um dos bombardeios, o prédio do Colégio Liceu Coração de Jesus foi atingido. O padre diretor relata que às 9h15, após terem soado o sino para iniciar as aulas do curso secundário, ocorreu o momento mais trágico da história do colégio. Segundo ele, ouviu um estampido, que vinha da direção do bairro de Santana, e a primeira bomba caiu ao lado direito do Liceu, na Alameda Barão do Rio Branco. Segundos depois, uma segunda detonação atingiu em cheio o Liceu, no telhado do prédio das Escolas Profissionais.

Em meio à nuvem de pó os alunos corriam para o pátio central do colégio. Ao todo foram três bombas que atingiram o Liceu, e o aluno Arnaldo Peterson Barreto acabou sendo atingido por um estilhaço da terceira bomba.

No dia 6 de julho, balas alvejaram a torre e os portões do Santuário do Sagrado Coração de Jesus. Suas marcas estão visíveis até os dias de hoje para aqueles que transitam pela Alameda Glete.

Após o ocorrido no Liceu, parte dos alunos voltou para casa ou foi para casas de parentes. O restante dos alunos internos do colégio (aproximadamente 400), dois sacerdotes, oito clérigos e três irmãos, foram levados para a Hospedaria dos Imigrantes, na região da Mooca, ficando os demais fechados dentro do colégio.

A Revolução Paulista

A Revolução de 1924 contou com a participação de quase mil militares e durou 23 dias. Os bombardeios ocorreram em pontos estratégicos da cidade, e entre eles estava a sede do governo estadual, próxima ao colégio Liceu Coração de Jesus. Durante a revolta, cerca de 300 mil pessoas tiveram que sair da cidade de São Paulo.

Por causa dos bombardeios, o então presidente do estado de São Paulo (governador), Carlos Campos, se viu obrigado a ausentar-se da capital, zelando pela sua própria vida.

No interior do estado ocorreram revoltas em menor proporção e algumas prefeituras foram tomadas pelos rebeldes. Inicialmente, a liderança da Revolta Paulista tinha planejado que outros estados aderissem ao movimento.

Entretanto apenas Mato Grosso, Amazonas, Pará, Sergipe e Rio Grande do Sul apoiaram as ideias do movimento, realizando ações em outros dias. Mas os atos tiveram pouca representação nacional.

Em exposição no MOSB

Atualmente é possível rever parte deste fato importante para cidade de São Paulo na exposição que está em cartaz no Museu da Obra Salesiana do Brasil (MOSB). O visitante poderá ver fotos e fragmentos das bombas, além de fazer um passeio pelas dependências do Liceu Salesiano Coração de Jesus.

Serviço:

Museu da Obra Salesiana no Brasil

Alameda Dino Bueno, 285/353

Agendamento de visitas: [email protected], pelo telefone 11 3337-2916 .

 

Marcos Lima – Coordenador do MOSB