Instituto Dom Bosco: formaturas das turmas 2018 do CEDESP
01/10/2019
Bom Retiro: História de Seu Jorge é reapresentada por jovens do CCA PROVIM
01/11/2019

“Que salesiano para os jovens de hoje? Um homem concreto, que tome decisões corajosas”

Na abertura dos Dias de Espiritualidade da Família Salesiana, publicamos prefácio do Santo Padre para o livro editado por Antonio Carriero, SDB, “Evangelii gaudium con don Bosco”, texto em que a Família Salesiana retoma, de um ponto de vista educativo pastoral, a mensagem da Exortação Apostólica do Papa Francisco.

Vocês salesianos têm sorte porque seu fundador, Dom Bosco, não era um santo com a aparência de “sexta-feira santa”, triste, carrancudo… Mas sim de “Domingo de Páscoa”. Ele era sempre alegre, acolhedor, mesmo com todo cansaço e dificuldades que o assediavam todos os dias. Como podemos ler nas Memórias Biográficas, “seu rosto radiante de alegria manifestava, como sempre, a alegria por estar entre seus filhos” (Memórias Biográficas de Dom Giovanni Bosco, Volume XII, 41). Não por acaso, a santidade, para ele, consistia em ser “muito alegre”. Podemos defini-lo, portanto, um “portador saudável da alegria do Evangelho”, alegria esta que ele propôs a seu primeiro grande aluno, São Domingos Sávio, e a todos vocês, salesianos, como o estilo autêntico e sempre atual da “medida alta da vida cristã” (João Paulo II, Novo Millennio Ineunte, 31).

A mensagem dele era uma mensagem revolucionária, em uma época em que os sacerdotes viviam a vida das pessoas com certa distância. O “alto padrão de vida cristã” foi colocado em prática por Dom Bosco na “periferia social e existencial” que crescia naquela Turim do século XIX, capital da Itália e cidade industrial, que atraía centenas de jovens em busca de trabalho. De fato, o “padre dos jovens pobres e abandonados”, seguindo o conselho visionário de seu mestre são José Cafasso, percorria as ruas, entrava nas obras, fábricas e prisões, em todos os lugares onde havia jovens solitários, abandonados, à mercê dos patrões, que não tinham qualquer escrúpulo. Ele levava a alegria e os cuidados de um verdadeiro educador a todos os rapazes que tirava das ruas e que encontravam, em Valdocco, um oásis de serenidade e um lugar onde aprenderiam a ser “bons cristãos e honestos cidadãos”. Trata-se da mesma atmosfera de alegria e de família que eu tive a sorte de viver e ser apreciar quando, ainda menino, frequentei a sexta série no Colégio Wilfrid Barón de los Santos Ángeles, em Ramos Mejía. Os salesianos me formaram para a beleza, para o trabalho e para ser muito feliz e este é o carisma de vocês.

Eles me ajudaram a crescer sem medo, sem obsessões. Eles me ajudaram a avançar em alegria e oração. Como tive ocasião de lembrar a vocês, na visita à Basílica de Maria Auxiliadora realizada em 21 de junho de 2015, volto a recomendar os três amores brancos de Dom Bosco: A Virgem Maria, a Eucaristia e o Papa. Hoje não se fala muito da Nossa Senhora com o mesmo amor que manifestava o Santo de vocês. Ele se estregava a Deus por meio da oração para Nossa Senhora, e aquela confiança em Maria lhe dava coragem para enfrentar os desafios e perigos da vida e de sua missão. A Eucaristia, como segundo amor de Dom Bosco, deve lembrá-los para iniciar os jovens na prática da liturgia, bem vivida, ajudá-los a entrar no mistério eucarístico e a não esquecer a Adoração. Finalmente, o amor ao Papa: não é só o amor por sua pessoa, mas por Pedro como chefe da igreja e como representante de Cristo e esposo da Igreja. Por trás daquele amor branco pelo Papa, está o amor pela Igreja. A pergunta que devem se fazer é: “O que é um salesiano de Dom Bosco precisa ser para os jovens de hoje?”. Eu diria: um homem concreto, como era o seu fundador, que, como jovem padre, preferiu servir aos pobres e abandonados à carreira de preceptor nas famílias nobres. Um salesiano que sabe olhar em volta, enxergar situações críticas e problemas, confrontando-os, analisando-os e tomando decisões corajosas. É chamado a atender todos os subúrbios do mundo e da história, as periferias do trabalho e da família, da cultura e da economia, que precisam ser curadas.

E, se além disso, também aceitar, com o espírito do Senhor ressuscitado, os subúrbios habitados pelos jovens e suas famílias, então o reino de Deus começa a estar presente e outra história se torna possível. O salesiano é um educador que abraça a fragilidade dos jovens que vivem na marginalização e sem futuro, se debruça sobre suas feridas e as trata como um bom samaritano. O salesiano também é otimista por natureza, ele sabe olhar para os jovens com realismo positivo. Como Dom Bosco ainda hoje , o salesiano reconhece em cada um deles, mesmo os mais rebeldes e fora de controle, “aquele ponto de acesso ao bem” no qual trabalhar com paciência e confiança. Finalmente, o salesiano é o portador da alegria, aquela nascida da notícia de que Jesus Cristo ressuscitou e inclui todas as condições humanas. De fato, Deus não exclui ninguém. Ele não nos pede para sermos bons para que nos ame. E tampouco nos pede permissão para nos amar. Ele nos ama e nos perdoa. E se nos deixarmos surpreender pela simplicidade daqueles que não têm nada a perder, sentiremos nosso coração inundado de alegria. Quando faltam estas características, então vemos aqueles rostos fechados, tristes.

Não! Aos jovens devemos levar esta boa notícia, uma notícia verdadeira contra todas as notícias que passam todos os dias nos jornais e na rede. Cristo realmente ressuscitou, e prova disto são Dom Bosco, Madre Mazzarello e todos os santos e beatos da Família Salesiana, bem como todos os membros que a cada dia transfiguram a vida de quem os encontra porque deixou-se alcançar pela misericórdia de Deus O salesiano torna-se, assim, testemunha do Evangelho, a Boa Nova que, em sua simplicidade, deve se confrontar com complexa cultura de cada país. Unir simplicidade e complexidade, para um filho de Dom Bosco, é uma missão diária.

ANS – Cidade do Vaticano