Inácio Stuchly
05/08/2013
José Vandor
05/08/2013

Jan Swierc e companheiros

Em 23 de maio de 1941, sendo diretor e pároco de Cracóvia Debniki, foi preso com outros Irmãos pela Gestapo e levado aos cárceres de Cracóvia; daí, no final de junho era transportado ao campo de concentração de Oswiecim, onde o esperava uma morte realmente atroz, que diríamos martírio.

E aqui, pedindo desculpas antecipadas aos irmãos, nos permitimos transcrever, traduzida, a deposição de uma testemunha ocular.

Padre Swierc e os outros irmãos “foram levados acorrentados da prisão de Montelupi de Cracóvia, com um transporte de judeus, no dia 26 de junho de 1941. Eram 12. Na praça de chamada foram-lhes tiradas as correntes e, depois de serem batidos até ao sangue, foram destinados, juntos com os judeus, à assim chamada “companhia de castigo” no “bloco da morte” do campo de concentração de Oswiecim.

O comandante do bloco interroga cada um dos que acabaram de chegar. O primeiro a ser interrogado é o Pe. Swierc: “Que serviço você faz?”. Diante da resposta: “Sacerdote católico”, resfolegando de raiva, dá-lhe com as botas dois chutes no ventre e com o relho bate-lhe tanto no rosto, a ponto de fazer-lhe escorrer sangue. Entretanto, todo cheio de fúria, blasfema e grita: “Você, padreco! Ladrão! Mal caráter! Impostor!… Morrerão como todos, cães de porcos! Única esperança para vocês é o crematório”,

No dia seguinte todos vão ao trabalho, embora cansados, esfomeados e quase asfixiados pelas evaporações nauseantes da fumaça dos cadáveres queimados que sai da chaminé do crematório.

As “companhias de castigo” devem trabalhar na fossa de cascalho atrás da cozinha. Padres e judeus são separados e entregues à vigilância especial de chefes sádicos.

Cada um deles recebe uma carriola de ferro, uma pá e uma picareta…

Era preciso quebrar as pedras com a picareta, carregá-las na carriola e transportá-las para uma fossa profunda oito metros. O transporte devia ser feito correndo. Sobre eles vigiavam os chefes do trabalho que tinham grossos bastões com os quais batiam sem piedade e, de modo especial, contra os padres, cujas mãos depois de pouco tempo estavam cobertas de calos e feridas e as pernas já não se regiam.

Um primeiro tropeção e Pe. Swierc cai. “Ah! Não quer trabalhar – grita o chefe; vou ajudá-lo logo”. E com um grande bastão bate em sua cabeça e costas. O pobre Pe. Swierc levanta-se e, com o resto de forças que ainda possuía, empurra a carriola para a fossa. Entretanto o “chefe”, aos chutes, obriga-o a levantar-se. O jogo brutal dura cerca de uma hora. Pe. Swierc já não pode mais. Todo vacilante levanta os olhos para o céu exclamando a cada golpe de bastão: “Jesus meu! Jesus meu!”. O chefe torna-se furibundo e grita: “Eu vou mostrar-lhe Jesus. Deus não existe! Não o tirará das minhas unhas!”. E vomitando blasfêmias obscenas, lança-lhe de improviso um forte golpe sobre o rosto que lhe faz sair um olho da órbita e sangue do rosto. Com um segundo golpe rompe-lhe os dentes e dilacera toda a gengiva direita. Dava realmente compaixão ver o pobre Pe. João horrivelmente massacrado, gotejante de sangue. Ouvia-se apenas o seus gemidos febris: “Jesus meu! Jesus meu, misericórdia!”. Levanta uma última vez o rosto em nossa direção e na direção do querido colégio dominado pela estátua de bronze dourado do Santo Redentor que se via do campo, e lhe faz assim a última saudação.

Enfurecido, o “chefe” decide dar o último golpe contra sua primeira vítima sacerdotal daquele dia: levanta-o e com todas as forças lança-o contra a carriola de grandes pedras. O golpe foi tão terrível que a espinha dorsal do Pe. João se rompeu e a cabeça pendeu para fora da carreta. Para terminar, o bestial “chefe” com uma grande pedra esmagou-lhe a cabeça. “Você deu um golpe de mestre”, ressoou entre gritos e risadas do grupo dos soldados que não se saciavam de contemplar a cena macabra”.

Pe. João Swierc estava morto. O seu corpo ainda quente foi carregado na carriola e lançado no crematório, enquanto sua alma ia receber a palma da vitória das mãos do Divino Salvador.

Padre Ignacy Antonowicz

Padre Ignacy nasceu em 1890 na cidade de Wieslawice. Foi aluno do Colégio Salesiano de Oswiecim nos anos 1901-1904. Entrou na Congregação em Daszawa em 1905 e em 1906 emitiu a primeira profissão em Oswiecim. Recebeu a ordenação sacerdotal em Roma em 1916. Trabalhou primeiro na Itália e depois na Polônia. Era, entre outras coisas, Reitor do seminário de Cracóvia (estudantado teológico). Foi preso no dia 23 de maio de 1941 e colocado primeiro na prisão, e depois transportado para o campo de Auchwitz. Morreu em 21 de julho de 1941 no hospital do campo, depois de selvagens espancamentos e açoites recebidos.

 

 

Padre Ignacy Dobiasz

Padre Ignacy nasceu em 1880 em Ciochowice. Freqüenta desde 1894 o colégio salesiano em Turim até que, em 1898, entra na Congregação Salesiana. Emite a primeira profissão em 1900 e, em 1908, é ordenado sacerdote em Foglizzo. Depois do retorno à pátria, trabalha em Oswiecim, Przemysl, Warszawa e Cracóvia. É preso em 23 de maio de 1941 e, depois de um mês de prisão foi transportado ao campo de Auschwitz. Ali foi morto no dia 27 de junho de 1941 nas cavas de pedra.

 

 

 

Padre Karol Golda

Padre Karol nasceu em 1914 na cidade de Tychy. Freqüentou nos anos 1927-1930, o colégio salesiano de Oswiecim. Entrou na Congregação Salesiana em 1931 e emitiu a primeira profissão em 1932 na cidade de Czerwinsk. A partir de 1935 estudou em Roma, onde foi ordenado sacerdote em 1938. Depois de retornar à Polônia trabalhou em Poznan e depois em Oswiecim. Foi preso no dia 31 de dezembro de 1941 e transportado ao campo de Auschwitz. Ali foi condenado à morte por ter confessado os soldados.

 

 

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Padre Franciszek Harazim

Padre Franciszek nasceu em 1885 na cidade de Osiny. Freqüentou a partir de 1901 o colégio salesiano de Oswiecim. Entrou na Congregação Salesiana em 1906 e emitiu a profissão religiosa em Daszawa no ano de 1907. Estudou na Itália, onde em 1915 foi ordenado sacerdote. Depois de retornar à Polônia trabalhou, entre outros lugares, em Oswiecim e Cracóvia. Foi preso no dia 23 de maio de 1941 e, depois de um mês de prisão, foi transportado para o campo de Auschwitz. Ali morreu no dia 27 de junho de 1941, nas cavas de pedra.

 

 

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Padre Franciszek Miska

Nasceu no dia 5 de dezembro de 1898 em Swierczyniec (Alta Silésia). Completado o ginásio no colégio salesiano de Oswiecim, entrou no noviciado de Pleszów. Emitiu os votos perpétuos em Oswiecim em 1923. Em seguida foi a Turim-Crocetta para os estudos teológicos. Em 10 de julho de 1927 foi ordenado sacerdote. Retornando à pátria, trabalha primeiramente no orfanato de Przemysl, depois em Vilna na escola profissional. Em 1931 é diretor em Jaciazek e, depois, em Lad. Dali é internado no campo de concentração de Dachau, onde morre no dia 30 de maio de 1942, depois de receber maltratos.

 

 

Padre Ludwik Mroczek

Padre Ludwik nasceu em 1905 em Kety. Freqüentou o colégio salesiano de Oswiecim nos anos 1917-1921. Fez o noviciado em Klecza Dolna, onde emitiu a primeira profissão em 1922. Estudou depois em Cracóvia e Przemysl, sendo aí ordenado sacerdote no ano de 1933. Trabalhou, entre outros lugares, em Lwów, Czestochowa e Cracóvia. Preso no dia 22 de maio de 1941, ficou na prisão por um mês, sendo depois transportado ao campo de concentração de Auschwitz. Tendo sido maltratado depois de uma chamada, acabou no hospital, onde morreu no dia 6 de janeiro de 1942.

 

 

Padre Wlodzimierz Szembek

Padre Wlodzimierz nasceu em 1883 em Poreba Zegoty. Entrou na Congregação Salesiana em 1929 na cidade de Czerwinsk, onde fez a primeira profissão em 1930. Estudou em Cracóvia, onde recebeu a ordenação sacerdotal em 1934. Trabalhou, além de outros lugares, em Cracóvia – primeiramente na casa inspetorial e depois no estudantado teológico – e em Skawa. Ali foi preso no dia 9 de julho de 1942 e transportado, primeiro para Tarnów e, depois, para o campo de Auschwitz. Morreu no dia 22 de setembro de 1942 devido às violências recebidas durante os interrogatórios.

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Padre Kazimierz Wojciechowski

Padre Kazimierz nasceu em 1904. Frequentou nos anos 1912-1920 as escolas salesianas de Cracóvia e de Oswiecim. Fez o noviciado em Klecza Dolna, onde em 1921 emitiu a primeira profissão. Em 1935 foi ordenado sacerdote em Cracóvia. Como padre salesiano trabalhou em Oswiecim e Cracóvia. Foi preso no dia 23 de maio de 1941, sendo transportado para campo de Auschwitz. Morreu no dia 27 de junho de 1941, durante o trabalho nas cavas de pedra.

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