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Estadão: Ensino remoto ajuda alunos da Educação Infantil a lidarem com o isolamento social

Caio Ferrari Uehara, de três anos, é aluno da Educação Infantil do Colégio Salesiano Santa Teresinha

Com a interrupção das aulas presenciais, em março deste ano, muitos pais de alunos da Educação Infantil têm se questionado sobre a necessidade de manter os filhos matriculados nas escolas, já que não há obrigatoriedade de ensino para crianças dessa faixa etária (até quatro anos de idade).

Mas a questão vai muito além do que é obrigatório ou não. Para alunos que já estavam habituados à rotina de aprendizagem, descontinuar as interações sociais e os estímulos que a escola proporciona pode aumentar a sensação de insegurança e potencializar os impactos negativos do distanciamento social.

Segundo a coordenadora do Educação Infantil do Salesiano Santa Teresinha, Gislene Naxara, crianças dessa idade ainda não entendem o que está acontecendo e muitas delas têm a percepção de que as coisas e as pessoas estão simplesmente desaparecendo de suas vidas. “Tudo aconteceu de repente, as relações sociais dessas crianças foram interrompidas abruptamente, o dia a dia delas mudou e elas estão sendo privadas da convivência com familiares, amigos, colegas. Por isso, é importante manter o contato com a escola, para que elas entendam que, apesar da dinâmica ter mudado, as pessoas ainda estão ali, dentro da mesma estrutura que elas conhecem”, conta Gislene.

Do ponto de vista pedagógico, é preciso alinhar as expectativas e entender que, de fato, a vivência dos alunos atualmente é diferente do ambiente escolar. Nesse momento, o papel das instituições de ensino passa a ser o de orientar, propondo atividades e acolhendo os pais para que eles possam acompanhar as vivências e práticas pedagógicas respeitosas propostas pela equipe pedagógica.

“Quando você pensa em ensino remoto para uma criança pequena, o planejamento precisa ter equilíbrio e levar em consideração as realidades das famílias. A escola ainda é responsável por criar experiências de aprendizagem com as crianças, mas precisa ter muito cuidado e respeito na hora de colocar isso em prática”, explica a coordenadora.

Também é preciso colocar na balança o tempo de exposição às telas, dentro do limite estabelecido pela Sociedade Brasileira de Pediatria para cada faixa etária, e a rotina familiar, já que muitos pais estão em home office, outros trabalham em serviços essenciais – tudo isso somado aos afazeres da casa.  “Não adianta oferecer uma quantidade grande de atividades, expondo demais as crianças e sobrecarregando os pais”, conta Gislene.

No Colégio Salesiano Santa Teresinha, as aulas são divididas em videoaulas, lives com a turma ou pequenos grupos e orientações gerais para as famílias. “Nessa idade as situações de aprendizagem são espontâneas e acontecem dentro do ambiente familiar também. Pensamos em maneiras de recriar o ambiente escolar, só que dentro de casa. A ideia é que os pais possam explorar as vivências do dia a dia para continuar estimulando os filhos”, completa a coordenadora.

Neste momento, o que não pode faltar é o amparo emocional às famílias e o cuidado dos professores com as crianças. “A imposição do isolamento social está sendo muito difícil. Todos perdemos muito, por isso, se conseguirmos nos reaproximar das crianças, mesmo que seja com o amparo das tecnologias, já geramos impactos positivos e acolhedores nesse momento tão difícil para todos”, finaliza Gislene.

Fonte: https://educacao.estadao.com.br/blogs/blog-dos-colegios-salesiano-santa-teresinha/ensino-remoto-ajuda-alunos-da-educacao-infantil-a-lidarem-com-o-isolamento-social/