Constantino Vendrame
05/06/2013
Estévão Ferrando
05/08/2013

Carlos Della Torre

Início do Processo: 17-01-2003

Carlos nasce em 9 de julho de 1900 em Cernusco sul Naviglio, província de Milão, Itália, de piedosos e simples pais, Antonio e Filomena. Foi o quarto de sete filhos que alegraram a família Della Torre. Em 1917, ao explodir a primeira guerra mundial, o jovem Carlos é chamado às armas; ainda não completara dezoito anos.

Retornando para casa, viu morrer o pai, consumido por um câncer no estômago. Nesses tristes momentos, Carlos foi o anjo consolador da mãe e dos irmãos. Passou os anos da juventude ajudando à mãe e freqüentando a igreja paroquial onde ensinava catecismo aos meninos.

Em 3 de dezembro de 1923, com 23 anos, entrou no Instituto Salesiano Card. Cagliero de Ivrea, onde em três anos conseguiu concluir os estudos ginasiais.

O Colégio Salesiano de Ivrea era, naquele tempo, o Instituto Missionário da Congregação, de onde os jovens recrutas missionários partiam para todo o mundo salesiano. Carlos, depois de ter servido o seu rei na linha de frente, pediu aos Superiores para servir também o Senhor e Dom Bosco ainda na linha de frente. Assim, no dia 16 de outubro de 1926, depois de apenas três dias de despedidas da mãe e dos irmãos, partiu de Gênova para a Missão Salesiana da China. Foi uma viagem sem retorno, porque Padre Carlos, missionário por 56 anos, jamais retornou à Pátria para rever seus caros, como já lhe tinha dito a mãe: “Vai e não retornes mais”.

Após apenas sete meses como noviço em Macau, China, os Superiores destinaram-no à nova Missão Salesiana da Tailândia, então chamada de Sião. Chegou a Bangkok, capital do Reino, no dia 25 de outubro de 1927, com o primeiro grupo de missionários tendo como chefe o futuro Bispo Dom Gaetano Pasotti e guiados pelo Padre Pedro Ricaldone, então Prefeito Geral da Congregação Salesiana, em visita extraordinária ao Extremo Oriente.

No dia 8 de dezembro do mesmo ano, Padre Carlos emitiu a sua primeira profissão religiosa em Bang Nok Khuek, casa mãe da missão salesiana da Tailândia. Vendo os Superiores a sua maturidade, embora ainda fosse clérigo, encarregaram-no dos registros da casa e da cozinha com o pessoal a ela adido. Foi justamente durante esse primeiro período de sua vida que, no contato com as jovens e as mulheres de serviço, teve a intuição – ou como ele mesmo disse: “Fui inspirado por Nossa Senhora” -, de reuni-las e fundar uma congregação de irmãs locais destinadas ao serviço e à manutenção das igrejas, das escolas paroquiais, da cozinha e da rouparia dos colégios e, além disso, encarregadas do ensino do catecismo às crianças para prepará-las ao recebimento dos Sacramentos.

Em 16 de janeiro de 1936 o clérigo Carlos e seus sete companheiros de noviciado foram ordenados Sacerdotes na pequena igreja de Ban Pong por Dom L. Perros, Bispo de Bangkok. Foi um dia de festa e de triunfo para a Congregação Salesiana que oferecia à Igreja local seus primeiros sete filhos sacerdotes, completamente formados na Tailândia. Após a ordenação sacerdotal, devido ao longo jejum, Padre Carlos foi obrigado a fazer um pouco de repouso e receber cuidados especiais na residência de Thà Ví.
Em 1949, com a vinda de um Visitador extraordinário à Tailândia e colocado pelos Superiores na angustiante alternativa de ou deixar a Congregação Salesiana ou o seu incipiente Instituto de irmãs locais, Padre Carlos, com grande pesar e desgosto, mas professando-se ainda filho devoto de Dom Bosco, deixou a Congregação para poder dedicar-se plenamente à sua incipiente obra, incardinando-se na diocese de Bangkok. Para o Padre Carlos e suas primeiras Irmãs foram anos realmente difíceis em todos os sentidos. Viram-se nas condições mais desesperadoras, sem dinheiros, sem teto e sem trabalho, um pouco abandonados e incompreendidos por todos. No pequeno local colocado à disposição deles pelo Bispo de Bangkok, as Irmãs conseguiram o pão bordando e costurando roupas que, depois, eram vendidas por pouco dinheiro.

Enquanto desenvolvia suas obras e cuidava da formação das Irmãs, Padre Carlos enviara a Roma, com o Nihil Obstat do Bispo local, o primeiro regulamento para a aprovação como Instituto de consagradas leigas. Em 1955, depois de muitas incertezas e dificuldades as sete primeiras Irmãs do Instituto emitiram a primeira profissão e consagração religiosa.

Atualmente, as Irmãs da Realeza de Maria Imaculada contam com 48 professas, 4 noviças e 36 aspirantes, que trabalham em cinco obras próprias do Instituto, com o espírito salesiano do Padre Carlos.

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